Em Fevereiro de 2002 eu acordei em um hospital, não sabia como tinha ido parar naquele lugar, tudo o que lembrava era de ter sentido uma forte dor de cabeça, sozinha naquele quarto com várias maquinas ligadas a mim, eu só pensava em minhas filhas, onde estavam, o que tinha acontecido, depois de alguns minutos, entrou no quarto um médico acompanhado de uma enfermeira, olhando para mim com um sorriso meio sem graça, me perguntou como me sentia, minha resposta foi seguida de duas perguntas: Onde estava as minhas filhas? E o que estou fazendo aqui? Minhas filhas eles não sabiam onde estavam e o que eu estava fazendo ali ouve um grande silêncio, até que o médico começou a perguntar da minha vida, com quem que eu morava pois precisava falar com alguém da minha família.
Fui tomada por um desespero, um medo, e logo desabei em lágrimas, mais a enfermeira tomou a minha mão e com carinho procurou me acalmar. Depois que consegui ficar mais calma, respondi para o medico o que ele havia me perguntado.meu nome é Mônica, moro aqui em Campinas faz 4 anos, moro sozinha com minhas duas filhas uma de 5 anos e outra de 9 anos e a minha família mora todos no nordeste.
Então diante disso o medico concluiu que não tinha ninguém que eu pudesse contar naquele momento. Dai veio as minhas perguntas: o que eu estava fazendo naquele lugar? O que tinha acontecido?
Foi quando eu recebi as respostas mais difíceis da minha vida: Você teve uma hemorragia no ônibus que estava e foi socorrida e trazida para cá, precisamos conversar com alguém da sua família para tomarmos algumas medidas para uma cirurgia necessária. E quando perguntei qual era o diagnóstico, recebi uma resposta bem direta ANEURISMA CÉFALICA e a cada três pacientes com o seu caso dois morrem na mesa de cirurgia e ainda tem um problema essa cirurgia tem um custo um pouco alto e não sabemos das suas condições financeiras ou se tem um bom convénio que cubra esses gastos.Em resumo meu convénio não cobria a Cirurgia e eu não tinha dinheiro para pagar por ela.
Mais Deus é maravilhoso existia uma equipe de médico que estavam estudando casos como o meu e eu me candidatei a ser cobaia em questão de um pouco mais de um ano foi descoberto uma cirurgia onde substituía a artéria dilatada por uma válvula e eu me submeti a essa cirurgia, gastando tudo o que tinha mais crendo que ficaria curada.E mais uma vez Deus provou o seu amor para comigo.Hoje estou curada e posso até dizer que tudo isso serviu para que eu passasse a ver a vida de uma outra forma.Descobri que o medo de morrer, de nossa vida chegar ao fim, não tira tanto o nosso sono quanto o medo...que atinge a todos de que talvez não tenhamos vivido.
Nosso tempo na terra é limitado. Isso é um fato, por mais que essa ideia nos perturbe.Não importa quem somos, qual a nossa idade, qual o grau de sucesso ou onde vivemos: a mortalidade continua sendo o grande nivelador.A cada tique-taque do relógio, um momento da vida fica para trás.Enquanto digito essas palavras, os segundos que passa nunca mais serão recuperados, e cada um que passa vai embora para sempre.Pensei nas pessoas que são desenganadas pelo médico, recebendo a noticia que só tem poucos dias de vida.Enquanto algumas delas lutam com os diferentes estágios da agonia da morte- choque, negação,barganha, culpa ira, depressão, aceitação-, a maioria faz mudanças radicais quando descobre sua condição terminal.Dão- se o direito de dizer o que de fato sentem e de fazer aquilo que realmente querem.Pedem perdão e perdoam.Não pensam mais apenas em si mesmas, mas procuram aqueles que amam e lhes dizem quanto realmente significam.Assumem riscos que jamais correriam antes e deixam as preocupações de lado, aceitando com gratidão cada novo dia.Parece que adquirem uma nova percepção em relação as prioridades, como o relacionamento com Deus e o propósito de deixar legados que perdurem.
Após a minha recuperação eu passei a ver as pequenas coisas do dia a dia com um significado completamente novo e mudei a minha vida para sempre.Levar minhas filhas para a escola todos os dias tornou-se uma alegria real.firmei o propósito de pelo menos uma vez por semana, sair pra passear com minhas filhas e dedicar um tempo de oração todos os dias.Se todos nós vivêssemos como se estivéssemos apenas mais alguns dias de vida neste mundo, passaríamos nossos dias de maneira diferente, de formas singular para nós e assim, acredito que todos experimentaríamos uma vida mais satisfatória que poderia deixar um legado para a eternidade.
Embora muitas pessoas que enfrentam a morte façam mudanças radicais para morrerem bem, de vez em quando encontro uma que altera muito pouco.Isso não quer dizer que pessoas assim não estejam dispostas a mudar.É que viveram de maneira tão livres e autentica que a noticia do final do iminente da vida não vira seu mundo de cabeça para baixo.Naturalmente, elas lamentam e sofrem quando recebem a noticia.Elas se entristecem por causa da família e das pessoas que amam.Mas sentem conforto por saber que viveram concentradas naquilo com que mais se importam: seu relacionamento com aqueles que amam, seu relacionamento com o Deus do universo e o cumprimento de seu propósito singular neste mundo.
Não seria maravilhoso viver de tal maneira que, diante da noticia de que só lhe resta alguns dias de vida, não fosse preciso mudar nada? o que o impede de viver assim? O que você está esperando? Em vários trechos das Escrituras, Deus nos lembra de que a vida é curta quando comparada com a eternidade. "Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco e depois dissipa" (Tg 4:14).
Precisamos lembrar que a vida é mais que aquilo que conhecemos na terra.Embora estejamos envolvidos com o presente, devemos pensar no impacto eterno provocado pela maneira como vivemos.A bíblia diz que Deus colocou a eternidade em nosso coração (Ec 3:11).Ele nos criou a sua imagem como seres espirituais, mas com corpos carnais.Se formos verdadeiramente honestos,perceberemos que deve haver mais para nossa existência do que este mundo pode oferecer.
È nesse ponto que muitas pessoas se voltam para a fé. Mas assim como alguns vivem como se não houvesse amanhã, outros usam a fé para viver como se não houvesse hoje .Estão sempre pensando "naquele dia" no céu, em vez de se envolver plenamente na vida hoje.
A única maneira de viver para a eternidade é abraçar cada dia como um presente de Deus. Devemos viver no pequeno ponto entre o cotidiano e o eterno.Ele nos criou e nos deu mais um dia para viver- para conhecer e experimentar seu amor, para servir aos que estão ao nosso redor, para viver apaixonadamente a vida para a qual ele nos criou.A transitoriedade desta vida deveria manter nosso foco naquilo que é mais importante.
Seja profundamente honesto consigo mesmo. Seu tempo na terra é limitado.Não seria melhor começar a fazer melhor uso dele? Se soubesse que tem alguns dias para viver,você olharia para tudo apartir de uma perspectiva diferente.Muitas coisas que faz agora, coisas que parecem muito importantes, perderiam imediatamente o sentido.Você veria com total clareza o que de fato importa e não hesitaria em ser espontânea , abrindo seu coração.não deixaria para manhã o que precisa ser feito hoje.O modo como viveria esses últimos dias seria a maneira como desejaria ter vivido a vida toda.
Se você soubesse que tem apenas dez dias de vida sua vida seria radicalmente transformada.Mais porque esperar até receber um diagnóstico de cancer ou de um derrame cerebral para aceitar essa verdade e permitir que ela o liberte? Não queremos tudo o que a vida tem a oferecer? Não queremos cumprir o propósito para o qual fomos criado? A vida não seria muito mais satisfatória se vivêssemos dessa maneira?
Deus me abençoou com uma cura, meus dias foram prorrogados, mais tudo isso serviu para que eu passasse a entender que a vida se resume em:
VIVER APAIXONADAMENTE
AMAR COMPLETAMENTE
APRENDER HUMILDEMENTE
PARTIR CORAJOSAMENTE
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